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O corpo do cantor e compositor Arlindo Cruz será velado a partir das 18h na quadra da escola de samba Império Serrano, sua escola do coração. O corpo do sambista já chegou à escola e foi colocado no centro da quadra. O local está cercado e sendo preparado para receber as homenagens. O velório será aberto ao público.
O velório se estenderá até as 10h da manhã deste domingo (10). Logo no início da tarde, as primeiras coroas de flores a chegaram, foram da Beija-Flor de Nilópolis e da presidência da República, com os dizeres: “Homenagem ao talento, poesia e generosidade do sambista perfeito. Solidariedade à família, amigos e fãs. Presidente Lula e Janja”.
A família pede que as pessoas que forem ao velório usem roupas claras, principalmente de cor branca. O velório será um “gurufim”, ritual de origem africana, trazido ao Brasil por povos escravizados, e que se manifesta em velórios festivos, marcados pela música, dança, comida e bebida. O objetivo é celebrar a vida de quem partiu e amenizar a dor da perda, transformando o luto em homenagem e alegria. A bateria da escola também se apresentará durante o velório.
Origem
A palavra “gurufim” tem origem no idioma quimbundo, falado em Angola, e significa “adeus” ou “despedida”. Nas culturas de matrizes afro-brasileiras, especialmente no candomblé e na umbanda, o “gurufim” assume um significado mais profundo de ritual, envolvendo o encaminhamento da alma.
Nos lares brasileiros, principalmente no Rio de Janeiro, os velórios antigos eram realizados em casa, no centro da sala. O corpo só ia para o cemitério na hora do enterro. Então, essa cerimônia aproximava todos os moradores da rua e do entorno das comunidades. As pessoas ficavam conversando, tomando café, comendo e bebendo. Durante toda a noite e madrugada, se revezavam no velório.
O enterro está programado para este domingo (10) às 11h, no cemitério Jardim da Saudade, na Sulacap, zona oeste da cidade. Antes de deixar a quadra, haverá uma cerimônia restrita, apenas para familiares e amigos. O artista morreu nesta sexta-feira (8), em decorrência de falência múltipla dos órgãos. Desde 2017, ele enfrentava sequelas de um acidente vascular cerebral (AVC).
Legado
Arlindo Cruz deixou um legado de mais de 700 músicas. Uma importante parte da sua história passa pelo bloco carnavalesco Cacique de Ramos, onde frequentou rodas de samba e tocou ao lado de grandes nomes do gênero.
Nas redes sociais, o Cacique de Ramos emitiu uma nota de pesar pela partida de Arlindo Cruz, registrando sua trajetória e importância para a escola. O Império Serrano também dedicou uma homenagem ao cantor.
Fonte

















