O governo Lula sofreu mais um revés no Congresso Nacional. A Câmara dos Deputados derrubou, nesta terça-feira (25), por ampla maioria de 383 votos contra 98, o decreto presidencial que aumentava a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A derrota escancarou a crescente insatisfação, não só da oposição, mas também de parte da base governista.
O decreto — que ainda precisa ser analisado pelo Senado, com votação prevista para esta mesma noite — elevava a cobrança do IOF sobre operações de crédito, câmbio, seguros e investimentos, com a promessa de reforçar a arrecadação federal. O Palácio do Planalto justificou a medida como necessária para manter o equilíbrio fiscal, diante do aumento das despesas com programas sociais e compromissos firmados nos primeiros dois anos de mandato.
A derrota no plenário ocorre em meio a uma sequência de embates entre o Executivo e o Legislativo. Nos últimos dias, o governo já havia enfrentado dificuldades para aprovar outras pautas econômicas e estruturais, evidenciando uma fragilidade na articulação política. A tensão aumentou após críticas internas ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e ao líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), acusados de falhar na negociação com o Centrão.
Parlamentares de centro e de oposição acusam o governo de tentar impor medidas fiscais sem debate adequado e sem contrapartidas claras. “É mais um pacote de aumento de imposto que recai sobre quem já paga demais”, afirmou um líder do União Brasil durante a sessão.
Se o Senado também rejeitar o decreto, a medida perderá validade e as alíquotas do IOF voltarão ao patamar anterior — representando não apenas um impacto fiscal relevante, mas um recado político direto ao presidente Lula: o Congresso cobra diálogo e respeito às prerrogativas do Parlamento.
A escalada de derrotas acende o alerta no Planalto. Com um cenário de desgaste crescente, o segundo semestre legislativo promete ser ainda mais turbulento para o governo.





















