Salvador agora tem uma secretaria voltada para o mar. A nova pasta, anunciada pelo prefeito Bruno Reis na última segunda-feira (10), promete impulsionar o potencial náutico da capital baiana, que possui a maior costa marítima do país. No entanto, a iniciativa não foi recebida com unanimidade e já enfrenta questionamentos sobre sua real função e estrutura.
Secretaria sem estrutura
O comando da Secretaria do Mar ficará a cargo de Andrea Mendonça, ex-vereadora e ex-secretária de Cultura e Turismo. Segundo o prefeito, a pasta tem como objetivo fortalecer o turismo, eventos e a economia ligada ao setor náutico. Contudo, a criação da secretaria se deu por decreto, sem orçamento próprio ou estrutura definida. Isso significa que, ao menos por enquanto, seu funcionamento dependerá do remanejamento de cargos e recursos dentro da gestão municipal. A possibilidade de oficializar a secretaria com dotação orçamentária própria só deve ser discutida na Câmara de Vereadores no orçamento de 2026.
A novidade gerou reações imediatas. Ouvintes da Rádio Metropole questionaram a necessidade da pasta e o que ela poderia oferecer de diferente em relação às Secretarias de Turismo e Meio Ambiente.
Política em jogo?
A criação da Secretaria do Mar também levantou suspeitas sobre articulações políticas. Andrea Mendonça é irmã do deputado federal Félix Mendonça Jr., presidente do PDT na Bahia, partido aliado de Bruno Reis. A nomeação ocorre em meio a especulações sobre o futuro da aliança entre o PDT e o grupo do governador Jerônimo Rodrigues, o que levou a oposição a apontar um possível uso da pasta para acomodação política.
O prefeito nega qualquer motivação partidária na decisão. “O PDT é parceiro de primeira hora. Temos minha vice-prefeita, agora Andrea, que já estava na gestão e continua, além de Décio Martins, que também segue agora ocupando um espaço ainda mais importante. A relação com o PDT é a melhor possível”, afirmou.
Enquanto isso, a Secretaria do Mar segue sob escrutínio. Para alguns, pode se tornar um motor de desenvolvimento econômico para Salvador. Para outros, corre o risco de ser apenas um barco à deriva na estrutura da administração municipal.















