Ananda Amaral, 23 anos, se viu diante de um grande desafio para realizar o sonho de cursar Medicina. Durante a pandemia, sua saúde mental foi severamente impactada, e a perspectiva de ingressar em uma universidade pública parecia cada vez mais distante. Sem a nota suficiente no vestibular, Ananda optou por utilizar o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), conseguindo financiar 92% da mensalidade de sua graduação em uma instituição particular.
O programa do governo federal, que oferece condições facilitadas de financiamento, foi a chave para a jovem ingressar na faculdade, mas o custo de ser um recém-formado com uma dívida significativa não é leve. Atualmente, Ananda está no oitavo semestre de seu curso de Medicina em Salvador, onde a mensalidade chega a R$12 mil. “Entrei sem saber quando ou como pagaria. Meu foco agora é terminar o curso e entrar na residência médica, para só então me preocupar com a dívida”, conta.
Neste primeiro semestre de 2025, o Fies oferece 7.171 vagas para a Bahia, e 67.301 vagas para o Brasil. As inscrições vão até sexta-feira (7), e os candidatos devem ter participado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) desde 2010, alcançando pelo menos 450 pontos na média das cinco provas e não zerando a redação. Além disso, há uma restrição de renda, com limite de até três salários mínimos por pessoa na família. Para quem está inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) e tem uma renda de até meio salário mínimo, o financiamento pode ser de até 100% do valor da mensalidade.
Porém, o Fies também traz desafios financeiros a longo prazo. A Bahia é o terceiro estado do país com o maior número de contratos pendentes do programa, com 65.744 registros até setembro de 2024, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. Isso reflete a crescente preocupação de muitos estudantes e suas famílias com o futuro financeiro após a formatura.
De acordo com o economista Edval Landulfo, vice-presidente do Conselho Regional de Economia da Bahia (Corecon-BA), “o Fies possibilita o acesso à educação superior para aqueles que não teriam condições de arcar com as mensalidades. Desde 2018, o programa oferece juros zero para os estudantes com maior necessidade econômica”, explicando os benefícios do programa para quem mais precisa. No entanto, a dívida gerada pelo financiamento e a ansiedade sobre como pagá-la após a conclusão do curso são questões que muitos estudantes, como Ananda, terão que enfrentar.
















