Uma pesquisa realizada pela consultoria Meira Fernandes com 95 escolas particulares em dez estados brasileiros revelou que 70% das instituições de ensino privadas em São Paulo pretendem adotar medidas mais rígidas quanto ao uso de celulares. O levantamento, conduzido entre 17 e 28 de outubro, trouxe à tona preocupações sobre o impacto dos dispositivos no ambiente escolar, como distração durante as aulas e diminuição das interações pessoais.
Para os colégios, o uso excessivo de celulares causa desatenção em sala de aula (66%), aumenta reclamações de professores (61%) e prejudica o contato direto entre alunos em momentos de lazer (49%). Os profissionais de educação também relacionam o uso descontrolado à piora na saúde mental dos estudantes (84%) e ao crescimento de casos de cyberbullying (66%).
Apesar de a Câmara dos Deputados ter aprovado recentemente, na Comissão de Educação, a proibição de eletrônicos em escolas, as instituições divergem sobre a melhor abordagem. Cerca de 23% das escolas defendem uma proibição total dos celulares, enquanto 53% acreditam que o investimento em programas de conscientização e prevenção é a forma mais eficaz de lidar com o problema.
“Proibir simplesmente não é o caminho ideal. Precisamos ensinar o uso responsável dos celulares e tecnologias, tanto para alunos quanto para suas famílias. Esse é um desafio cultural, e a educação é a chave para adaptá-los a essas ferramentas,” comentou o neuroeducador Fernando Lino, que participou do estudo.
A questão se mantém em pauta em um cenário onde o equilíbrio entre tecnologia e interação humana se torna cada vez mais necessário para o desenvolvimento dos estudantes.

















