Na manhã desta quinta-feira (26), um caminhão baú com o logotipo da Fatal Model, conhecida como a maior plataforma de acompanhantes do Brasil, foi flagrado estacionado em frente à sede do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), em São Paulo. A situação chamou atenção quando pessoas saíram do veículo e começaram a tirar fotos e gravar vídeos do prédio e dos frequentadores do local, gerando desconforto.
O economista e fundador do ICL, Eduardo Moreira, rapidamente se pronunciou sobre o episódio em suas redes sociais. “Agora de manhã, um caminhão da Fatal Model está em frente à sede do ICL, tirando fotos das pessoas que entram no prédio. É para intimidar a gente”, declarou Moreira. “Eu já tinha alertado sobre o perigo de denunciar essa empresa que está fazendo propaganda em horários indevidos.”
O incidente acontece dias após Eduardo Moreira criticar publicamente a veiculação de propagandas de serviços de acompanhantes durante eventos com classificação indicativa livre. Em 16 de setembro, durante uma edição do programa ICL Notícias, Moreira chamou atenção para a presença de publicidade da Fatal Model em estádios de futebol, um ambiente acessível para crianças e adolescentes. Ele destacou a inadequação da exibição de conteúdo desse tipo em locais onde a classificação indicativa é livre. “A paixão das crianças é o futebol, aí elas veem isso e entram no site para saber o que é”, comentou o economista, referindo-se à visibilidade que esses anúncios ganham em grandes eventos esportivos.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) protege menores de idade da exposição a conteúdos impróprios, como publicidades de serviços relacionados à prostituição ou acompanhantes. Partidas de futebol, por exemplo, são classificadas como atividades livres para todas as idades, mas a veiculação de anúncios como os da Fatal Model pode expor jovens a conteúdos inapropriados.
O debate levantado por Moreira ganha ainda mais relevância no contexto de políticas públicas que buscam combater a exploração sexual de crianças e adolescentes. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que 9,6% das crianças com menos de 18 anos sofrem exploração sexual globalmente, com 320 novos casos estimados a cada dia no Brasil, onde apenas uma pequena parcela dos abusos é denunciada.
O episódio ocorre poucos dias após o Dia Internacional contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças, celebrado em 23 de setembro. A data reforça a necessidade de vigilância e ações preventivas em uma sociedade que ainda enfrenta altos índices de violência sexual e exposição inadequada de menores a conteúdos adultos.
Até o momento, a empresa Fatal Model não se pronunciou sobre as acusações feitas por Moreira nem sobre a presença de seu caminhão na sede do ICL. O caso segue repercutindo nas redes sociais, levantando questões sobre a influência de grandes plataformas no público infantojuvenil e o impacto da publicidade inadequada em ambientes de livre acesso.

















