O poeta e antropólogo Antonio Risério, conhecido por sua trajetória na esquerda e sua atuação no marketing político, está no centro da polêmica com seu novo livro, Identitarismo. Em um lançamento marcado para esta quinta-feira (25) em Salvador, Risério faz duras críticas aos movimentos identitários, que, segundo ele, substituíram questões sociais e econômicas urgentes por debates sobre raça e gênero.
“O resultado [do identitarismo] foi a formação de uma ideologia que voltou as costas às realidades sociais e econômicas do mundo, passando a encarar tudo em termos de raça e sexo. É um novo determinismo”, afirma Risério, destacando que o movimento foi alimentado por grandes fundações e que agora impõe uma visão tribalista e segmentada da sociedade.
Risério não poupa críticas ao que vê como um desvio dos verdadeiros problemas sociais. “Temos a tragédia gaúcha, a expansão das favelas, o desemprego, a violência urbana, a fome, e as pessoas ficam aí encasquetadas querendo obrigar todo mundo a dizer ‘todes'”, critica, argumentando que a atual esquerda cultural está mais preocupada com simbolismos do que com questões concretas.
O autor também responde às acusações de que suas críticas ao identitarismo o teriam empurrado para a direita. Ele afirma que a esquerda brasileira trata dissidências políticas com moralismo e estigmatização, utilizando termos como “racista” e “supremacista branco” para silenciar vozes discordantes. Segundo Risério, os militantes identitaristas substituem o argumento político por insultos, o que ele vê como uma estratégia para evitar debates reais.
Em seu livro, Risério explora a “clicheria slogamática” dos movimentos identitários, que, segundo ele, substituem o raciocínio analítico por frases feitas e slogans. Ele critica o uso de fórmulas como “racismo estrutural” e “privilégio branco”, sugerindo que esses termos acabam por automatizar o pensamento e impedir discussões verdadeiras.
O lançamento de Identitarismo ocorrerá no Restaurante Recôncavo Culinária, em Salvador, das 17h às 22h. A obra promete fomentar um debate acalorado sobre as direções da esquerda e a influência dos movimentos identitários na política contemporânea.















