Fechado em 2020, ainda durante a gestão do ex-governador Rui Costa (PT)—atual ministro da Casa Civil do governo Lula—, o edifício onde funcionava o antigo Colégio Estadual Odorico Tavares, no Corredor da Vitória, em Salvador, deve ter seu destino selado ainda este ano. A ideia do governador Jerônimo Rodrigues (PT) seria, de fato, optar pela alienação (venda) do imóvel.
A confirmação foi dada ao BNews pelo secretário da Casa Civil, Afonso Florence (PT). De acordo com o gestor, o Governo da Bahia já vinha monitorando o mercado e, agora, com o Odorico “em condições”, o imóvel deve, finalmente, ser vendido, com os estudos acerca da viabilidade do negócio podendo ser iniciados ainda este ano.
“O Odorico agora está em condições propícias a uma nova destinação. A primeira hipótese é a alienação. São feitos estudos para outras destinações, mas nos próximos meses, consolidado esse cenário de mercado de retomada da atividade econômica, da indústria, da construção civil, deve haver uma definição”, destacou Afonso Florence.
O equipamento público, construído em um dos locais com o metro quadrado mais caro da capital baiana, foi desocupado em janeiro de 2020, sob a justificativa de que o número de matrículas estava aquém da capacidade. A medida foi alvo de protestos da classe estudantil e dos professores que lecionavam na unidade.
Ainda de acordo com o secretário da Casa Civil, apesar de haver outros projetos em mente, a valorização do imóvel pesa a favor da venda—outras possibilidades seriam a destinação para políticas de esporte, lazer e cultura.
Afonso Florence também destacou que não houve “demora” para uma definição, dando a entender que o Governo da Bahia planejava deixar o Odorico “de molho” para que o terreno valorizasse.
“Ali [no Corredor da Vitória] é uma área muito valorizada da cidade e nós agora temos avaliação de maior atratividade de negócios ali. Então, o governo, em vez de perder dinheiro, pode fazer um bom negócio alienando. Foi isso que aconteceu. Não é uma postergação por inércia, pelo contrário. É um diagnóstico de mercado da melhor conveniência para o interesse da sociedade baiana através do Governo do Estado. E muito brevemente nós teremos notícia nova”, explicou o secretário ao BNews.
No entanto, para a venda do Odorico sair do papel, algumas etapas precisam ser cumpridas, como o estudo de valor de mercado imobiliário a ser realizado pela Procuradoria Geral do Estado (PGE). Após isso, a BahiaInveste—empresa de investimentos do Governo da Bahia—deve intermediar as negociações com o setor privado.
O imóvel ainda não foi precificado, mas quando o Projeto de Lei (PL) que autorizava a venda do Odorico foi aprovado pela Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), em 2020, a expectativa era de que o retorno aos cofres públicos seria de R$ 50 milhões, de acordo com o líder do governo na Casa e relator da proposta, Rosemberg Pinto (PT).
Este caso lança luz sobre os baixos índices de aprovação na Bahia, refletindo uma gestão educacional que enfrenta críticas pela falta de investimentos e prioridades controversas. O fechamento do Colégio Estadual Odorico Tavares e a venda do terreno em uma área nobre levantam questões sobre o compromisso do governo com a educação pública de qualidade e a valorização dos recursos educacionais existentes.

















