Em meio às preocupações crescentes sobre a influência das milícias no cenário político do Rio de Janeiro, a deputada estadual Delegada Martha Rocha (PDT/RJ) ergueu sua voz em defesa da integridade da atuação política na região. Em uma conversa exclusiva com o BNEWS nesta sexta-feira (26), Rocha destacou a importância de os políticos não se renderem às pressões das organizações criminosas.
“A atuação da política não pode ser um ato de rendição. Se ele [o político] está ali para representar o povo, ele tem que ser a voz corajosa e independente do povo. A mim não me agrada essa definição de que muitas vezes há uma convivência em razão de eles ocuparem um espaço no território. Um político, pelo contrário, tem características de proteção que dão a ele autonomia para exercer com coragem, segurança e verdade a sua função”, afirmou a deputada.
Rocha também destacou uma mudança preocupante na natureza das milícias, descrevendo-as como “milícias empreendedoras” que não se limitam mais à atividade criminosa tradicional. “A gente tem que entender que a milícia hoje é uma milícia empreendedora. Ela não é mais a presença de algum representante do Estado que vem com uma justificativa de proteção do território contra, por exemplo, uma estica do tráfico de drogas. Hoje a milícia está caminhando para atividades legais: estava na proteção, mas hoje também está, por exemplo, na construção imobiliário, está atacando regiões de proteção ambiental”, alertou a parlamentar.
A deputada pedetista enfatizou a necessidade de enfrentar os criminosos, especialmente quando há envolvimento político. “Quaisquer que sejam a representação ou os envolvidos nesta organização criminosa, devem ser investigados, processados e julgados. Esse inquérito [sobre a morte de Marielle Franco], ao final, vai dar a sua conclusão. O que a gente tem que entender é que a milícia é uma organização criminosa que precisa ser combatida”, declarou Rocha.
Além disso, Martha Rocha expressou sua confiança na maioria dos políticos, destacando que muitos realizam um trabalho digno e ético. “Tem um número muito expressivo de parlamentares que estão aí prestando seu serviço de qualidade, com ética, com transparência. Se houver a participação da política, isso é muito mais grave e, exatamente em razão disso, essa gravidade dessa participação tem que ter uma resposta contundente da polícia, do Ministério Público e do Poder Judiciário”, enfatizou.















