Na quarta-feira (6), a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou o Projeto de Lei 1.501/2023, que concede ao governo do estado a autorização para negociar a participação acionária do Executivo na Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). A votação, com 62 votos favoráveis e um contrário, foi marcada por protestos intensos de trabalhadores da companhia e organizações contrárias à privatização. Todos os deputados de oposição se retiraram do plenário durante a votação.
A discussão acalorada levou à suspensão temporária da votação, com esvaziamento da galeria do plenário devido a confrontos entre manifestantes e a Polícia Militar. Segundo a assessoria de comunicação da Alesp, a interrupção ocorreu “após uma parte dos manifestantes comprometer a segurança”. Após a retomada da discussão, o projeto foi aprovado.
O deputado estadual Maurici informou à Agência Brasil que quatro manifestantes foram detidos e levados ao 26º Distrito Policial (DP). Cinco manifestantes ficaram feridos na cabeça durante os confrontos. Os apoiadores protestam em frente ao DP, considerando a detenção como uma prisão política.
Em nota, o governo do estado defendeu a privatização como um “grande avanço”, visando construir um legado de universalização do saneamento. O projeto agora aguarda a sanção do governador e a publicação no Diário Oficial do Estado.
Entretanto, o movimento contrário à privatização promete continuar mobilizado, destacando que mais de 50% da população paulista é contra as privatizações, segundo pesquisa do Datafolha. Além disso, uma Ação Civil Pública, movida por deputados e vereadores do PT, questiona na Justiça o parecer que autoriza a venda da Sabesp, apontando possíveis irregularidades no contrato entre o governo e a International Finance Corporation (IFC), membro do Grupo Banco Mundial. O processo pede a nulidade do contrato e destaca preocupações com a suposta vantagem econômica para a IFC ao concluir pela privatização da Sabesp. A Agência Brasil aguarda manifestações da IFC, da Sabesp e do governo estadual sobre o assunto.
















