Partidos de esquerda estão planejando uma estratégia para evitar que o governador Jerônimo Rodrigues (PT) escolha o vice, Geraldo Jr. (MDB), como candidato único do grupo governista à prefeitura de Salvador. Esse movimento ganhou força às vésperas da reunião do conselho político, realizada no último dia 14, resultando na falta de uma data definida para apresentar o nome do grupo que enfrentará Bruno Reis (União) na corrida pela prefeitura.
Há até mesmo discussões sobre um possível veto explícito contra Geraldo Jr., embora evitem usar essa abordagem para manter alguma civilidade política na base aliada. A preocupação é que isso poderia fortalecer a oposição estadual em Salvador, o que não é do interesse do governador.
Um dos principais obstáculos é que Geraldo Jr. não consegue representar adequadamente a esquerda, mesmo estando alinhado com Jerônimo. Devido à sua recente associação ao grupo, ainda carrega traços da longa convivência ao lado de ACM Neto e Bruno Reis, algo que o torna menos aceitável para os esquerdistas mais tradicionais.
Além disso, Geraldo Jr. não possui os mesmos simbolismos que a última candidata do PT em Salvador, Denice Santiago, apresentava. Como mulher, negra e militar, ela era vista como capaz de dialogar com segmentos que Geraldo Jr. pode não alcançar, caso seja escolhido como candidato do grupo.
Atualmente, a mobilização está focada na candidatura da federação PT, PCdoB e PV, com a estratégia de fortalecer o 13, que foi fundamental para eleger Jerônimo no último pleito. No entanto, a ausência de uma eleição em conjunto com o fenômeno Luiz Inácio Lula da Silva reduz o impacto desse argumento. A escolha do deputado estadual Robinson Almeida pelo PT não tem gerado muito entusiasmo.
No cenário atual, PCdoB e PV não parecem oferecer opções que agradem à cúpula das candidaturas nas principais cidades da Bahia. Uma figura que surge como alternativa é a deputada federal Lídice da Mata (PSB), embora ainda não tenha sido formalmente apresentada como pré-candidata. Ela é vista como alguém com boa aceitação eleitoral e defensora do legado petista, representando uma figura mais autêntica para engajar a militância da esquerda na campanha.
Enquanto a decisão final não é tomada, as tensões nos bastidores e os debates públicos estão aquecendo os ânimos dos envolvidos. A eleição de 2024 em Salvador, até o momento, é mais marcada pela pré-definição de candidatos do que por outros temas da agenda política da cidade.
















