Pode parecer uma notícia antiga, mas infelizmente não é. Recentemente, moradores e comerciantes da região da Pituba, em Salvador, enfrentaram mais de 6 horas de interrupção no fornecimento de energia elétrica. Isso aconteceu na última segunda-feira (2), quando um caminhão colidiu com uma rede de fios em um dos 4 milhões de postes da Coelba Neoenergia. A confusão e o perigo foram evidentes, com incêndios, explosões e curtos-circuitos em várias redes.
No entanto, esse não foi um incidente isolado envolvendo os postes da Coelba nas últimas semanas. Apenas dois dias antes desse incidente, um homem perdeu a vida eletrocutado ao subir em uma dessas estruturas na Avenida Barros Reis. O poste pegou fogo, e seu corpo foi carbonizado. Os bombeiros só puderam intervir depois que a empresa desligou o fornecimento de energia elétrica.
Surpreendentemente, esse tipo de ocorrência é mais comum do que a maioria das pessoas imagina. No ano passado, a média mensal de incêndios em postes na capital foi de 25, de acordo com os registros do Corpo de Bombeiros – quase um incidente por dia. Há duas semanas, este mesmo jornal já havia reportado casos semelhantes na Avenida Tomás Gonzaga, em Pernambués. Uma solução possível para evitar tragédias como o acidente com o caminhão na Avenida Manoel Dias e o incidente na Avenida Barros Reis seria a instalação subterrânea da rede da Coelba, algo que, por lei, deveria ter sido implementado em todo o território de Salvador.
O emaranhado de problemas
Uma lei proposta pelo então deputado estadual Ângelo Coronel (PSD), aprovada e promulgada pela Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) em 2018, estabeleceu que a concessionária de energia tinha cinco anos para fazer essa mudança no sistema de rede da capital. O prazo expirou em maio, e até agora apenas 5,4% do sistema de Salvador está subterrâneo. A Neoenergia Coelba alega que essa alteração resultaria em aumentos significativos nas contas de energia, mas os baianos já enfrentaram aumentos consideráveis este ano, com um reajuste de 8,18%, um dos maiores do Brasil.
O problema dos postes e fios é antigo, e a lei da instalação subterrânea só foi aprovada em 2018, embora tenha sido proposta em 2000. Naquela época, já se alertava sobre os riscos do sistema de rede aérea sobrecarregada para a população. Infelizmente, esses riscos continuam se tornando realidade diariamente ao longo de 23 anos. O governo e a prefeitura parecem esquivar-se da responsabilidade de acompanhar a regulamentação desses equipamentos, alegando que a fiscalização dos postes é incumbência da própria Coelba. Esta, por sua vez, afirma ter removido 170 toneladas de fios irregulares de telefonia e internet no primeiro semestre. No entanto, mesmo com essa remoção, o emaranhado de cabos ainda representa um perigo para os usuários, como evidenciam os recentes e frequentes incidentes.
















