Há quase sete anos, o processo de penhora do prédio do antigo Centro de Convenções de Salvador se arrasta, revelando um verdadeiro desdém pelo destino dos trabalhadores e do patrimônio público. A dívida trabalhista de R$ 170 milhões pendente, resultante de uma ação coletiva movida pelo Sindicato dos Empregados em Empresas de Turismo (SETS), parece ser um mero detalhe para o governo. Com 94% da dívida quitada, a falta de pagamento aos 150 trabalhadores que tiveram sua lesão confirmada pela decisão judicial ecoa como um grito de descaso.
A irresponsabilidade do governo fica evidente ao considerarmos que o antigo Centro de Convenções desabou em 2016, e desde então, o imóvel permanece sem destino certo. A gestão pública, responsável pelo espaço, parece não ter pressa em encontrar uma solução adequada. Ainda mais alarmante é o fato de que nove trabalhadores aguardam o pagamento de suas indenizações, enquanto quinze já faleceram sem receber o que lhes era devido.
O descaso não para por aí. A extinção da Bahiatursa durante a gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT) trouxe uma transferência de responsabilidades, passando a dívida para a Superintendência de Fomento ao Turismo do Estado da Bahia (Sufotur) e, por fim, para a Procuradoria-Geral do Estado da Bahia (PGE). A incerteza sobre o destino do antigo Centro de Convenções persiste, uma vez que a PGE não definiu um plano claro para o local, alegando que uma possível venda poderá ocorrer após a quitação da dívida.
Enquanto isso, a Justiça do Trabalho e o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) não conseguem fornecer um prazo para a conclusão do processo, deixando os trabalhadores à mercê de uma espera interminável. A situação reflete um ciclo de inércia e desinteresse que expõe a falta de comprometimento das autoridades com a justiça e com aqueles que foram lesados.
Em resumo, a história do antigo Centro de Convenções de Salvador é um triste exemplo do desamparo dos trabalhadores, da falta de responsabilidade governamental e do desrespeito ao patrimônio público. Enquanto a dívida se arrasta e os trabalhadores aguardam por justiça, a ruína do edifício torna-se uma metáfora perturbadora da decadência do sistema que deveria proteger e servir a todos.
















