“Acredito que a sociedade tenha percebido a real necessidade de escolher representantes engajados com a pauta ambiental”.
Por Fulvio Bahia
João Carlos Bacelar Batista, natural de Esplanada, na Costa dos Coqueiros/BA, é formado em Administração de Empresas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), e tem Mestrado em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas.
Atualmente filiado ao Partido Verde (PV), vereador por Salvador em 4 mandatos e 3 vezes eleito deputado estadual, Bacelar ingressou no Congresso Nacional no ano de 2015, sendo reeleito na última eleição para sua terceira legislatura.
Atuou com Coordenador Estadual da Fundação Educar – MEC; Assessor Técnico – Senado Federal; Presidente do Instituto de Previdência – Salvador, BA e Secretário de Educação e Cultura – Prefeitura Municipal de Salvador.
Nas Comissões Permanentes, foi titular da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania – CCJC; Comissão de Educação – CE. Nas Comissões Especiais, 1º Vice-Presidente Enfrentamento Ao Homicídio De Jovens; Relator da Lei De Responsabilidade Educacional. Foi Titular do Estatuto Da Família; Lei De Responsabilidade Educacional; Marco Regulatório Dos Jogos No Brasil; Enfrentamento Ao Homicídio De Jovens; Marco Regulatório Da Economia Colaborativa e do Sistema Único De Assistência Social.
O Boletim Bahia apresenta abaixo a entrevista com Deputado Federal Bacelar (PV):
Reeleito com 110.787 votos, como o senhor define sua campanha?
Esta foi uma campanha cheia de desafios e atípica. Depois de muitos anos, troquei de partido, número de urna, telefone e endereço do escritório. Era tudo novo. Praticamente começamos do zero. Ao mesmo tempo, nesses 45 dias de trabalho intenso, fizemos grandes amizades e alianças importantíssimas para o crescimento e fortalecimento da nossa caminhada.
A parceria com governador Rui Costa, Jerônimo Rodrigues e Lula, sem dúvida, contribuiu muito para reeleição, principalmente, porque o Brasil passava por um momento de polarização política e exigia um posicionamento dos candidatos.
E trilhamos o caminho certo, o de quem cuida e se preocupa com povo.
Com sua plataforma política voltada à educação, quais os desafios para o novo mandato?
Muita coisa precisa ser feita. Bolsonaro cortou milhões da educação, paralisou programas de governo que são importantes para o ensino superior e reduziu financiamento de vários outros como FIES, ProUni e ProInfância. Nos últimos 4 anos, a educação básica teve a menor verba dos últimos 11 anos, segundo dados compilados pelas consultorias de orçamento da Câmara e do Senado. Então, teremos o desafio de garantir verbas para o Ministério da Educação através da Lei Orçamentária Anual (LOA).
Além disso, a aprendizagem dos brasileiros piorou na pandemia, a taxa de evasão escolar se mantém em alta desde 2020. Segundo dados do IPEC a pedido do Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 2 milhões de jovens entre 11 a 19 anos, não completaram o ensino básico, gerando um percentual de 11% da população brasileira nesta faixa etária.
Portanto, essa lacuna é mais um impasse educacional que deve ser melhorado e tratado como prioridade. E essa será uma das prioridades do mandato.
O PV vem ganhando corpo no cenário nacional. A que se deve esse crescimento?
A luta do Partido Verde em defesa do meio ambiente já tem quase 40 anos. Mas estamos em um momento em que a sociedade conseguiu compreender e internalizar a importância da pauta ambiental. Principalmente, pelos desmandos de Bolsonaro nesta questão. Na atual gestão, entre 2019 e 2021, a taxa anual do desmatamento da floresta mais que dobrou, elevando a destruição a patamares históricos. Só em 2021, foram mais de 13 mil km² de floresta derrubados, o maior desmatamento em 15 anos.
Então, acredito que a sociedade tenha percebido a real necessidade de escolher representantes engajados com a pauta ambiental, com o meio ambiente e que sejam interlocutores com o Congresso. Para Além disso, o PV tem dialogado de forma mais transversal com a sociedade civil para que o tema sustentabilidade seja tratado com mais integração e conscientização.
Atravessamos um tumultuado governo com o Presidente Bolsonaro. Como o senhor enxerga o futuro político do país com a volta do Presidente Lula?
Será extremamente desafiador. Embora o Congresso tenha sido eleito com viés conservador, Lula não deve ter dificuldades para obter maioria que lhe permita governar no dia a dia. Dos 513, apenas 60 são de extrema direita ou radical e com perfil conservador e o bom trânsito vai ajudar nessa missão.
Já nas ruas, a missão é reascender esperança do povo brasileiro e acabar com essa despolarização, que já dura anos, e com isso a união do Brasil. Lula tem essa capacidade, pois tem uma experiência popular de comunicação coletiva.
Outro ponto é uma confiança do povo brasileiro às suas instituições democratas, uma confiança do ponto de vista da gestão em relação ao bom uso do dinheiro público. Então é um desafio muito grande, fazer com que o orçamento se torne cada vez mais transparente para que a sociedade possa se sentir parte do processo de tomada de decisão.
Foto: Divulgação
















