“Somos contra a entrada do PSOL no governo Jerônimo e seguimos na defesa de um PSOL independente e de luta”.
Historiador, militante socialista desde o final dos anos 80, ativista no movimento social e nos parlamentos, Hilton Coelho renovou seu mandato para a Assembleia Legislativa da Bahia na última eleição.
Foi candidato ao Governo do Estado em 2006, a Prefeitura Municipal de Salvador em 2008 e é visto como um representante da política de esquerda, tendo seus trabalhos voltados às lutas populares e aos direitos humanos, o que o levou a Câmara de Vereadores por dois mandatos consecutivos.
Em seu primeiro mandato na ALBA em 2019, foi titular da Comissão Especial da Promoção da Igualdade, Suplente da Comissão de Educação, Cultura, Ciência, Tecnologias e Serviço Público, e Suplente na Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública.
Com o lema de campanha “Resistência”, sua plataforma política voltada ao serviço público, principalmente na educação, o levou a reeleição com 45.491 votos pelo Partido Socialismo e Liberdade – PSOL
Confira baixo a entrevista da equipe Boletim Bahia com o Deputado Estadual Hilton Coelho.
Sua campanha sempre foi trabalhada no lema “resistência”. Diante disso, como fazer uma resistência contra um sistema tão desigual?
Em primeiro lugar, agradeço o espaço que o Boletim Bahia dá ao nosso mandato. Nós utilizamos “resistência” por compreender que ela faz parte do cotidiano da maioria da população, na qual boa parte vive lutando pela sua sobrevivência, pela garantia dos direitos, resistindo à violência, a fome e a desigualdade.
Então, respondendo ao seu questionamento, a “resistência” é uma das formas de enfrentamento a esse sistema que traz tanta desigualdade para a nossa sociedade.
Quais os rumos para a continuidade do mandato?
O nosso mandato tem uma caminhada de 10 anos defendendo o serviço público, principalmente a educação, e o nosso objetivo é manter essa característica, pois foi essa a proposta que defendemos durante a campanha e se mostrou viável politicamente, pois ocupamos espaços importantes e conseguimos trazer para a assembleia legislativa da Bahia debates importantes que também deveriam fazer parte dos espaços de decisão.
Qual a sua opinião sobre o atual cenário político baiano e o retorno do Presidente Lula?
Podemos afirmar que, sem Bolsonaro no comando do Brasil, o nosso cenário politico melhora de forma sensível. Teremos enfim um presidente da República que dará normalidade institucional ao nosso país e terá a difícil missão de reconstruir o que foi destruído no último governo.
Aqui na Bahia, o cenário é diferente, o governador Jerônimo Rodrigues terá que responder às contradições que apareceram durante a campanha eleitoral e aproveitar a virada politica no campo nacional para realocar a Bahia neste contexto. A Bahia tem os piores índices sociais tendo uma das mais importantes economias. É o estado mais violento, em especial contra a juventude negra, com alto índice de reprovação e evasão escolar. O novo governo terá que responder a essas demandas.
Como único representante do PSOL na Casa, qual a sua análise sobre a representação do seu partido na Bahia?
O PSOL vem construindo uma trajetória de luta e de afirmação dos seus valores, a votação que tivemos é a demonstração dessa caminhada, ao passo disso, tivemos uma candidatura ao Governo protagonizada pelo companheiro Kleber Rosa que trouxe debates importantes para a sociedade baiana e mostrou a capacidade que o PSOL tem de fazer leituras consistentes e apontar caminhos para a crise que o nosso estado vive.
Segundo Hilton, o PSOL Bahia tem o desafio de consolidar a construção do partido socialista, popular e de massas, refletindo o papel indispensável que têm cumprido na reconstrução de uma perspectiva de independência de classe para a esquerda brasileira.
“Este desafio se dará na medida em que o PSOL consiga responder política e programaticamente aos problemas da classe trabalhadora no estado e na luta política contra as forças reacionárias e conservadoras, sempre alicerçado na mobilização popular. A possibilidade do ingresso do PSOL no governo Jerônimo/Geraldo Jr, significaria um “silenciamento das críticas feitas por nosso mandato e demais integrantes de nosso partido”, pontuou.
“Somos contra a entrada do PSOL no governo Jerônimo e seguimos na defesa de um PSOL independente e de luta. Manter a independência política, para construir as lutas sociais, para exigir ou mesmo para defender o governo, representa uma questão de coerência política” finalizou.
Foto: ASCOM Dep. Estadual Hilton Coelho

















