Atividade já faz parte da rotina de muitas famílias baianas.
As abelhas tem um grande papel ecológico e econômico, principalmente as espécies nativas que são facilmente encontradas em todas as capitais brasileiras. Sua extinção traria impactos devastadores para o equilíbrio do planeta, interferindo diretamente na nossa cadeia alimentar, pois são responsáveis pela polinização da maior parte das plantas cultivadas em nossas terras.
Atualmente existem em média 350 espécies já identificadas de abelhas sem ferrão (ASF). Suas características são das mais variadas e dentre os exemplares mais conhecidos e criados, podemos destacar as Jataí, Mandaçaia, Uruçu, Borá, Mandaguari, Iraí, Mandurí, Bugia e a Guaraipo.
Conheça algumas espécies:
Imagens: abelha.org.br
Com o sinal de alerta de extinção ligado, cresce o número de projetos e estudos voltados à preservação da espécie e, uma nova atividade ganha força: a criação de “Meliponários Urbanos”. Atividade posta em prática por pessoas que buscam uma forma alternativa e sustentável para a produção e consumo dessas substancias tão ricas, cheias de propriedades medicinais e que fazem uma ponte direta com a preservação do nosso riquíssimo ecossistema.
Um bom exemplo desses estudos vem do SAVAM – Sistema de Áreas de Valor Ambiental e Cultural, diretoria municipal que cuida das áreas verdes da cidade de forma determinante para a contribuição da qualidade urbana e ambiental. O projeto do Meliponário que está em fase de implantação no Parque da Cidade, conta com 12 colmeias das abelhas Uruçu Nordestina e é supervisionado pela bióloga Jaqueline Gonzaga. Segundo João Resch, Diretor do Savam, ” A ideia é que façamos o fomento dessa prática com a ampliação dos Meliponários em hortas comunitárias da cidade”.
Já pensou em consumir mel e ter extrato de própolis de abelhas criadas em sua casa?
Até pouco tempo, essas atividades seriam inimagináveis e difíceis de se pôr em prática, mais isso está mudando. Os Meliponários já estão presentes no cotidiano de inúmeras famílias baianas, trazendo uma atividade prazerosa e muitas vezes lucrativa.
Rogério Lima, aposentado, morador da Praia do Flamengo é um exemplo de criador hobista das ASF. Com 2 colônias de abelhas Jataís, viu sua vida se transformar. Ele nos conta que no quintal de casa, hoje existe um pequeno pasto meliponícola com espécies de plantas cuidadosamente escolhidas para dar às abelhas um estoque de néctar e pólen durante todas as estações do ano.
“As abelhas mudaram a minha vida; hoje acordo cedinho e a primeira coisa que faço é ir no quintal verificar minhas colônias. Meus pés de acerola, limão, pitanga e maracujá iniciaram uma superprodução depois da chegada das abelhas”. Rogério nos conta que é visível a mudança no seu quintal; sua produção de frutas duplicou com a polinização, sem falar na festa quando recebe a família e amigos em casa. ” Todos ficam bem curiosos com o vai e vem frenético das abelhas” concluiu.
Mas vale lembrar que matar abelhas é crime. São crescentes os casos de enxameação de abelhas nas áreas urbanas, o que ocasiona na maioria das vezes no extermínio do enxame, estando o responsável por destruí-las sujeito às penalizações da lei Nº 9.605 de 12 de fevereiro de 1998.
Ao identificar uma colmeia, se detectado possível risco à saúde, deve-se de imediato entrar em contato com o Batalhão do Corpo de Bombeiros, através do número 193 e solicitar a retirada que será feita de forma segura para a colônia.
Existem leis vigentes no Brasil, com especificidades em cada região que regulamentam a criação e a produção comercial dos insumos. Na Bahia, a lei Nº13.905 de 29/01/2018 é responsável sobre as normas de criação, comércio, conservação e transporte de abelhas nativas sem ferrão.
Temos também a Portaria ADAB Nº 207 de 21/11/2014 que traz o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade do Mel de Abelha social sem ferrão gênero Melipona.
Portanto, antes de iniciar uma criação de abelhas, é necessário muito estudo, dedicação às normas e práticas de manejo para uma criação saudável, prazerosa, lucrativa e segura.
Se ficou interessado em iniciar sua criação consciente e responsável, vale a pena consultar suas regulamentações:
http://www.legislabahia.ba.gov.br/documentos/lei-no-13905-de-29-de-janeiro-de-2018
https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=277684
Foto: Abelha.org


























