Nesta quinta-feira (27) o NOVO anunciou a suspensão da filiação de João Amôedo, um dos fundadores do partido, após o empresário declarar voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à presidência no 2º turno das eleições.
Segundo nota divulgada pelo NOVO, Amôedo ficará suspenso até o fim do processo disciplinar na comissão de ética do NOVO. A legenda afirma que respeitará as regras estatutárias e o direito de defesa.
O Diretório Nacional da sigla diz que tomou conhecimento da suspensão nesta quinta-feira e que a comissão analisa denúncias feitas por filiados, independentemente da direção partidária.
Após a derrota de d’Avila no 1º turno, o NOVO anunciou neutralidade e divulgou nota liberando o voto de seus filiados na 2ª rodada de votação. Contudo, após a declaração de Amoêdo, o presidente da agremiação, Eduardo Ribeiro, afirmou ao Estadão que não estava liberado apoiar o candidato do PT. Segundo ele, na legenda há quem vote em Jair Bolsonaro (PL), mesmo que de forma crítica, e quem anule o voto.
A relação entre Amoêdo e o NOVO vinha se deteriorando havia algum tempo. Nos corredores do partido, a interpretação é de que o apoio ao PT foi apenas a “gota d’água”, dado que o “casamento ia mal” havia meses. O fundador da legenda divergiu dos parlamentares eleitos em diversas ocasiões, como quando se manifestou publicamente contra a soltura do deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ), enquanto toda a bancada foi contra a prisão.
Após a declaração de voto em Lula, o partido afirmou em nota que a decisão constrangia a instituição e era “lamentável e incoerente”. Filiados fizeram um manifesto para pedir a desfiliação de Amoêdo.
O empresário lamentou as críticas que recebeu por declarar o voto no petista e reagiu dizendo que exerceu sua “liberdade de expressão”, um direito que lhe é “conferido pela nossa Constituição”. “Tal direito não apenas dialoga com um dos pilares do NOVO – a liberdade de expressão – como também encontra amparo no seu Estatuto, em Diretriz Partidária vigente e em uma nota recente que textualmente reafirmou a liberdade de seus filiados em votar segundo suas convicções”, afirmou, em publicação nas redes sociais.
O empresário também discordou da legenda em questões como oposição ao chefe do Executivo – o Novo se considera “independente” – e a obrigatoriedade da vacinação contra a covid-19.
Embora não tenha apoiado oficialmente nenhum dos dois candidatos no 2º turno, o partido não se manifestou sobre apoios a Bolsonaro vindos de outros políticos da sigla, como o governador reeleito de Minas Gerais, Romeu Zema, principal aposta do presidente no estado.
Com informações do Terra
Foto: ISTO É















