Filmes dirigidos e protagonizados por mulheres são maioria entre os indicados ao principal prêmio do cinema ibero‑americano, o Prêmio Platino Xcaret.

Conheça os concorrentes ao melhor filme:
- Ainda é noite em Caracas, das venezuelanas Marité Ugás e Mariana Rondon;
- Belén, da argentina Dolores Fonzi;
- Os Domingos, da espanhola Alauda Ruiz de Azúa;
- O Agente Secreto, do brasileiro Kleber Mendonça Filho;
- Sirât, do espanhol Oliver Laxe.
O vencedor do Prêmio Platino será anunciado em 9 de maio, durante a cerimônia em Cancún, México. Parte dos indicados pode ser assistida em plataformas digitais.
No total, 30 filmes e 19 séries compõem a lista de finalistas desta edição, com produções de 14 países ibero‑americanos, incluindo sete do Brasil.
>> O Agente Secreto recebe oito indicações ao Platino Xcaret
Presença feminina
Para especialistas consultados pela Agência Brasil, o destaque feminino reflete avanços no setor, embora a desigualdade ainda persista nos bastidores.
Ilda Santiago, diretora do Festival do Rio e produtora brasileira, ressalta que o progresso ainda é pontual, já que a participação feminina continua reduzida em áreas técnicas como montagem, fotografia e trilha sonora.
“Quando analisamos a categoria principal do Platino, vemos três mulheres, todas experientes no cinema, que já não estão lançando sua primeira obra, e isso é muito bem‑vindo”, destacou.
Em 2026, o Prêmio Platino coloca as diretoras Fonzi e Azúa contra Mendonça e Laxe, que já disputaram, em março, o Oscar de melhor filme estrangeiro. Já nas categorias técnicas — montagem, fotografia e efeitos visuais — as mulheres ainda são minoria.
Ilda Santiago acredita que mulheres à frente das filmagens ampliam as abordagens sobre a complexidade da nossa época. Essa presença também resulta em equipes de produção mais equilibradas, “mais ricas e harmoniosas”.
Marina Tedesco, professora de cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF), avalia que as obras assinadas por mulheres no Platino trazem perspectivas que vêm ganhando mais espaço nas telas e nas premiações, ainda que ainda não estejam consolidadas na indústria.
Especialista em cinema latino‑americano, Tedesco constatou que, nos últimos anos, movimentos sociais, pautas feministas, antirracistas e de diversidade ganharam força e passaram a se refletir tanto nas salas de cinema quanto nos festivais. A partir dessa mobilização, acredita que as produções encontram mais facilidade para serem realizadas.
“Hoje há maior interesse por histórias que retratam experiências pouco ou jamais vistas nas telas”, afirmou Tedesco. Essa tendência eleva o apelo comercial dos filmes, beneficiando cinema e sociedade.
Investimentos ao longo da cadeia audiovisual são essenciais para garantir uma transformação duradoura, pontua Juliano Gomes, crítico e professor de cinema da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).
“O cinema feito por mulheres floresce mundialmente quando há incentivos a produtoras de pequeno e médio porte”, declarou.
Para ele, o fomento equitativo beneficia todos os grupos sociais, incluindo negros, indígenas e LGBTQIA+.
Conheça as histórias
Dentre os indicados, Belén ilustra esse movimento. O roteiro baseia‑se em um caso real de uma jovem presa após sofrer um aborto espontâneo, reacendendo o debate sobre direitos das mulheres e desigualdades no sistema de justiça.
O longa, com a atuação da advogada da vítima, Soledad Deza, papel interpretado por Fonzi, recebeu 11 indicações ao Platino, incluindo melhor filme, melhor atriz e melhor diretora.
Os Domingos conta a história da adolescente Ainara, que desperta para uma vocação religiosa, gerando conflitos familiares no País Basco. É o terceiro filme de Alauda Ruiz, que explora a dinâmica familiar contemporânea.
Também concorrendo ao melhor filme, Ainda é noite em Caracas é um suspense em que a protagonista venezuelana volta do enterro da mãe e se vê sozinha em meio a protestos na capital, em 2017, dominada por milícias.
Os demais concorrentes na categoria de melhor filme ibero‑americano são o já premiado O Agente Secreto — vencedor de três Platinos (melhor música original, montagem e direção de arte) — e o suspense espanhol Sirât, laureado no Cannes de 2025.
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